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A imensidão também se desbrava de caiaque

Quem vê a imensidão e opulência do rio Douro e seu entorno, nem imagina que é possível atravessá-lo sem grande cerimônia. Esqueça os barcos luxuosos abarrotados de turistas, os jet ski​s​, cruzeiros, navios e afins... Hoje vou apresentar a vocês uma forma de curtir um dos cartões postais mais famosos do Porto com apenas dois remos e muita disposição.

Tudo começou quando meu primo Rui comprou um caiaque inflável e sugeriu de estrearmos a nova aquisição no Douro. Fomos investigar se era possível e, a princípio, nada encontramos a respeito de proibições ou leis. Na teoria, há uma obrigatoriedade de se ter coletes salva-vidas, mas a fiscalização ignora e quase ninguém usa.

Caminhamos pelo Cais de Gaia e encontramos uma pequenina entrada para o rio. Montamos o caiaque ali mesmo, atraindo a curiosidade dos transeuntes e dos pescadores que por ali estavam. Um deles puxou conversa conosco.

- Ah, esse é dos infláveis, né? Primeira vez que vejo um desses por aqui. Vocês já devem ter experiência nesse tipo de coisa, né?

- Não, na verdade é a primeira vez.

A resposta do meu primo causou espanto no pescador, mas a situação era tão inusitada que caímos os três na gargalhada. O pescador nos passou algumas dicas, sugeriu irmos a favor da correnteza e nos desejou boa sorte. A pequena doca estava coberta de limo, então quase escorreguei antes mesmo de colocar os pés na embarcação. Uma vez seguro, amarramos nossos pertences nas cordas do caiaque, colocamos os celulares em sacolas plásticas e começamos a remar, em direção à Ponte de Dom Luís I.

Foi realmente incrível cruzar as quatro pontes mais famosas da cidade de tão perto da água, podendo apreciar vistas que nenhum outro lugar p​oderi​a​ proporcionar​. Descansar embaixo da sombra da Ponte do Freixo​,​ enquanto observa o curso do rio, a vegetação ao redor, os prédios, casas e as pessoas... Uma sensação indescritível e que certamente levarei para o resto da vida.

Nossa primeira parada foi na Praia Fluvial do Areinho, em Gaia. Assim que atracamos, fomos cercados pelas crianças que lá estavam, curiosas com a novidade. O pai de uma delas veio nos perguntar a respeito do transporte e saiu de lá decidido a comprar um para a família também (lembrando que esse só comporta três pessoas, sendo uma delas criança). Demos um mergulho na praia, comemos umas frutas, pães e sementes e depois seguimos nosso curso.

Descobrimos diversas “minipraias” ao longo das duas margens, sempre com banhistas ou pescadores a ocupá-las. Nossa próxima parada (ou paragem, como dizem os portugueses), foi na Praia de Avintes, que é bem parecida com a do Areinho. Mais um mergulho, outra reabastecida no estômago e uma alongada nos braços (tem que ter muita força e disposição, especialmente quando o rio fica com ondulações e também quando se rema contra o vento). Seguimos em direção à barragem.

Depois de muito remar, encontramos o letreiro do distrito de Gondomar do nosso lado esquerdo e avistamos um paraíso, completamente desconhecido por nós dois; a Praia das Azenhas. Ela fica a cerca de dez quilômetros da Ribeira, é bem pequena, mas conta com uma faixa de areia branquinha, a água limpíssima e cristalina e é envolvida por uma vegetação extensa e muito bonita, que dá um certo ar de ilha ao local. Não foi exatamente uma descoberta: muitos jovens já estavam lá, acampando inclusive, muito bem equipados com mesas e cadeiras retráteis, churrasqueira portátil, bola, frescobol, comidas, cervejas e etc. Resolvemos que ali era nossa linha de chegada e ficamos curtindo a praia durante uma hora, mais ou menos.

O Sol estava muito forte e esquecemos de levar o protetor. Uma dica? Não façam isso! O fato de estar no rio e recebendo o vento na cara engana, faz com que se tenha a impressão de não estar se queimando, mas é só impressão mesmo. Combalidos de Sol e de cansaço nos braços, os dez quilômetros da volta foram bem difíceis para nós, mas valeu a pena. No final de tudo, ficamos boiando embaixo da Ponte Dom Luís, recebendo os olhares e acenos curiosos dos turistas e locais, pedidos de carona e até alguns flertes de meninas. O caiaque foi, de fato, um sucesso.


Aventura narrada por nosso querido colunista Gabriel Cassar =)


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