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Vida de torcedor

Era dia de “final” de campeonato para o Futebol Clube do Porto. Eu e meu amigo Vicente estávamos assistindo à partida no famoso bar Espaço 77, o preferido entre os brasileiros que vivem por estas bandas do Norte. Uma vitória ou um empate contra o Sporting garantia aos Dragões mais um título do Campeonato Português, o 29º, deixando os azuis a sete conquistas do arquirrival Benfica.


O jogo estava bem truncado, com poucas chances para ambos os lados. Alguns portistas assistiam ao jogo compenetrados, mas nem parecia que o time deles estava a alguns minutos de se sagrar campeão. Trocamos uma ideia com dois deles, Tiago e Simão, que logo começaram a nos ensinar alguns cânticos da claque tripeira. Já na parte final, saíram dois gols do Porto e a festa estava completa. Brazucas e Tugas lado a lado vibrando e comemorando o troféu na Cidade Invicta.


“Tripeiro eu sou

E tenho o Porto no meu coração

Serás sempre a minha paixão

Eu dou a vida para seres campeão!!

A mim não me interessa aonde vais jogar

Seja onde for sabes que eu vou lá estar

Nem a morte nos vai separar

Até no céu e eu vou cantar”


A procissão futebolística saiu do 77, foi pela Rua de Cedofeita e terminou na Adega Leonor, onde mais curiosos se juntavam ao nosso grupo para festejar, beber uns finos e bagaços, beijar na boca e se divertir. Tiago, depois de ficar com uma rapariga na rua graças ao desenrole carioca do Vicente, nos abraçou e disse “Festejar com os brasileiro é maravilhoso!”. A última parada foi na Avenida dos Aliados, onde havia a maior concentração de torcedores do Porto a comemorar. Morteiros, sinalizadores, bandeirões, chuva de cerveja, mosh pit... Não faltou nada. A cada canção entoada para enaltecer o Porto, vinha outra para tripudiar do rival de Lisboa.


Por fim, como já era de se esperar, a polícia (PSP) decidiu que era hora de fazer os foliões respeitarem o isolamento social na base da bancada. Chuva de cacetetes e gás lacrimogênio de um lado, garrafas voadoras do outro. Cheguei em casa vivo e contei a história ao meu primo, que logo brincou: “Pronto, agora já podes dizer que és um herói sobrevivente da Cidade Invicta”. Pois...


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